Consórcio entre amigos ou família, tome cuidado!

Há uma armadilha neste consórcio que os “vendedores” dessa ideia esqueceram de divulgar.

Renato Rocha
25/07/2012 - 23h59

Consórcio entre amigos ou família, tome cuidado!

 

É comum em algumas empresas e até em família haver uma pessoa mais animada e com certo poder de persuasão, que sugere e consegue promover um consórcio entre amigos.
Aquele acordo em que cada pessoa paga mensalmente um determinado valor e durante o ano, a cada mês, uma será contemplada com o total das mensalidades arrecadadas daquele mês; similar a um consórcio convencional.
No entanto, há uma armadilha neste consórcio que os “vendedores” dessa ideia esqueceram de divulgar, não observaram o detalhe, ou, se sabem, são os últimos a serem contemplados.
Pois bem, o consórcio entre amigos funciona da seguinte forma; é formado um grupo de 12 pessoas, a mesma quantidade que corresponde aos meses do ano, ou seja, uma será contemplada a cada mês; até ai tudo normal.
A questão está no valor e seu “rendimento” mensal, se é que podemos chamar de rendimento, saberão por quê. 
Portanto, o valor do consórcio será de 100 reais pra cada pessoa, no entanto, a cada mês este valor será acrescido de 1 real como forma de benefício de rendimento aos que estão aguardando a contemplação. Esta é a ideia mais vendida pelos organizadores.
Sendo assim, em janeiro o valor será de 100 reais, em fevereiro será de 101 reais, em março será 102 reais e assim por diante até chegar em dezembro, que será o último mês e valor pago por todos será de 111 reais.
Bom, ai está o detalhe, no 1 real acrescido. Se o valor for fixo de 100 reais ou qualquer outro valor, mas que seja fixo para todos e o ano inteiro, não haverá armadilha, pois todos irão receber e pagar neste exemplo os mesmos 1.200 reais no fim do ano. 
A diferença será que, cada pessoa irá receber o montante em um mês específico e poderá aplicar em algum investimento, ou comprar algo que deseja com antecedência e com desconto, etc., algo financeiramente satisfatório.
Entretanto, como há o acréscimo de 1 real, neste consórcio haverá uma frase muito conhecida em finanças, “há quem paga juros e há quem receba juros”.
Concordam que, o primeiro contemplado, em janeiro, irá receber 1.200 reais, ou seja, 100 reais de todos os participantes, certo! E o último irá receber, 1.332 reais, isto é, 111 reais de todos em dezembro, certo! 
Só este exemplo já é um motivo para você escolher sempre ser o último a receber correto?
E se souber que ao fim do ano, somando o 100 reais mensais e o 1 real de acréscimo em cada mês, cada pessoa deve pagar no total do ano 1.266 reais?
Perceberam o prejuízo do contemplado em janeiro com apenas 1 real/mês?
Ou seja, para o primeiro contemplado e alguns mais conforme a tabela abaixo, não será na verdade um consórcio, mas sim um “empréstimo” entre amigos.
Deste modo, para que não haja pagadores e recebedores de juros neste acordo amigável do consórcio, façam-no com valores fixos, independente do valor, mas sem acréscimo mensal, senão, alguém sairá perdendo e outros ganhando. Isso é coisa de amigo?
Vejam a tabela e tirem as conclusões.
 
Até a próxima!