Lojistas do Mercado Municipal falam sobre os problemas enfrentados no local

Apesar de ter passado por uma reforma nas partes elétrica e hidráulica há cerca de quatro anos, o prédio ainda tem alguns problemas estruturais.

Íris Mota
15/01/2013 - 23h59

Lojistas do Mercado Municipal falam sobre os problemas enfrentados no local

 

O Mercado Municipal de Patos de Minas foi inaugurado no dia 20 de janeiro de 1959 durante o mandato do prefeito Genésio Garcia Roza e, atualmente tem 42 lojas que vendem os mais diversos produtos. No local são encontrados artigos que dificilmente são vistos em outros estabelecimentos da cidade.
Passeando pelos corredores do Mercado podemos encontrar produtos artesanais, carnes dos mais diversos tipos, calçados, confecções, utensílios domésticos e as mais variadas guloseimas. Quem deseja fazer um lanchinho pode optar por pastéis, pamonhas, biscoitos caseiros ou ainda almoçar em um dos restaurantes. 
O edifício é um dos principais marcos urbanos da cidade por ser um ponto de encontro da população urbana entre si, e dela com a da zona rural, apresentando um grande fluxo de usuários de diferentes faixas etárias e com diversas finalidades.
Embora seja um ponto de referencia para os moradores e visitantes da cidade, o Mercado Municipal era alvo de desagrado. Lojistas e usuários reclamavam da estrutura antiga e precária. Diante da necessidade o prédio passou por uma reforma nas partes elétrica e hidráulica há cerca de quatro anos. Além disso, os banheiros também sofreram melhorias. 
A reportagem do PATOS NOTÍCIAS  passou uma manhã na companhia dos comerciantes do Mercado Municipal para conhecer um pouco do trabalho daquelas pessoas e saber quais são as alegrias e os desagrados dos lojistas. Nosso guia foi o sr. José Mota “Motinha”, proprietário de dois açougues no local. Motinha começou trabalhar no Mercado Municipal há 22 anos e assim como ele, a maioria dos lojistas está ali há décadas. 
O Sr. Wilson José de Souza e o Sr. Manoel Teixeira trabalham no local há mais de 50 anos. Wilson é dono de um armazém e comercializa diversos produtos no estabelecimento. Já Manoel trabalha com a família em uma feira e ainda vende produtos artesanais no local, alguns deles produzidos pelo próprio homem.
Na visita nossa equipe conheceu também uma das pastelarias mais antigas e mais conhecidas da cidade.  Há 32 anos funcionando no Mercado Municipal, a Pastelaria do Valdomiro é ponto de encontro de amigos e visitantes que vêm de outras cidades. Segundo Geovane, gerente do estabelecimento, são vendidos cerca de 800 pastéis por dia. 
Mas nem só de alegrias são os dias dos comerciantes. Durante a conversa todos foram unânimes ao reclamar da falta de segurança no local. Segundo eles não são raros os casos de furtos e roubos dentro do Mercado Municipal. 
Maria de Fátima é dona de uma loja de calçados e confecções e está no mesmo ponto há mais de 23 anos. Ela relata que diversas vezes teve os produtos furtados e que em alguns casos já chegou a correr atrás dos ladrões para tentar recuperar as peças. A lojista conta que nos últimos anos o movimento tem caído muito e um dos motivos é a falta de segurança no local. 
Motinha faz parte do Conselho de Lojistas do Mercado Municipal. Sobre o problema relatado ele fala que já tentaram encontrar solução, mas o maior impasse está mesmo nos comerciantes. Segundo ele existe um valor de condomínio pago mensalmente para cobrir as despesas e já pensaram em contratar um segurança particular para coibir a violência e a presença de pedintes no local. O problema é que nem todos os lojistas concordam em ratear mais essa despesa, e por isso todos continuam sofrendo com as presenças indesejadas.
Nossa equipe entrevistou um cliente. O sr. Nicomedes está sempre no local e também reclama dos andarilhos e pedintes que ficam por ali. Além de ser frequentemente incomodado ele ainda fala do forte odor de urina que está presente nas calçadas em volta do mercado. 
O Conselho de Lojista já procurou o Comando da Polícia Militar para pedir rondas frequentes, mas a resposta foi que a corporação não conta com efetivo suficiente para oferecer o serviço. A esperança agora é que a nova administração da cidade crie a Guarda Municipal e destaque seguranças para o local. 
Outra dificuldade citada pelos comerciantes foi a falta de estacionamento nas proximidades do Mercado. E eles contam que o problema é acentuado por algumas pessoas que utilizam as vagas disponíveis para expor automóveis que estão à venda. Segundo Motinha, os donos dos carros chegam pela manhã e deixam os veículos durante todo o dia nas vagas enquanto realizam os negócios.
O passeio continuou e nossa equipe testemunhou outro problema citado por todos os comerciantes entrevistados. O teto do prédio é feito por uma laje que está em péssimo estado. Havia baldes espalhados pelos corredores para recolher a água da chuva que caía pelo teto. Maria de Fátima, dona da loja de calçados disse que “a chuva pára do lado de fora, mas continua caindo no interior do Mercado”. Segundo Motinha, o Conselho de Lojistas já fez várias reuniões com a ex-prefeita Béia Savassi para pedir uma reforma na estrutura. Até agora nada foi feito, mas as esperanças se renovam com a entrada da nova administração municipal. 
A reportagem do PATOS NOTÍCIAS entrou em contato com o novo secretário de Infraestrutura, Nelson Nogueira, e apresentou as reinvindicações dos comerciantes. Nelson disse que ainda não conhece todos os problemas enfrentados pela população patense e por isso não pode se posicionar sobre o assunto. O secretário afirmou não conhecer nenhum projeto de melhorias no teto do Mercado Municipal, mas se comprometeu a fazer uma visita no local nos próximos dias para avaliar a situação e, assim conseguir a melhor solução para o povo.
Enquanto os problemas não são resolvidos os trabalhadores do Mercado continuam com os afazeres diários para melhor atender os clientes. E nossa equipe acompanhará todo o processo de negociações com a prefeitura para melhorar o local. Sempre tendo em vista o melhor para a população de Patos de Minas.
 
Fotos: Eduardo Santoro