Escrevendo crônicas em Patos de Minas

O Patos Notícias contará agora com crônicas semanais sobre o cotidiano patense.

Caio Machado
17/10/2016 - 16h31

Escrevendo crônicas em Patos de Minas

Escrever crônicas em Patos de Minas nunca foi uma coisa corriqueira. O jornalismo daqui, não obstante do que vimos país afora, demanda de um público acostumado a notícias permeadas de violência e tragédia. Algumas colunas, sociais ou não, aparecem vez ou outra em alguns dos principais veículos. Nada que possa prender a atenção do leitor comparado ao último homicídio registrado ou ao último acidente fatal. Mas essa prática, mesmo que enfraquecida ainda acontece.

A cidade conta com um único jornal impresso, que infelizmente é rodado apenas uma vez por semana; há também alguns periódicos de sindicatos, que via-de-regra são mensais e restritos apenas ao público alvo da categoria; temos um canal de tevê local que abrange grande parte do munícipio; filiais de grandes canais que mal liberam quinze minutos para produção de conteúdo local; um punhado de estações de rádios tradicionalíssimas e uma dezena de sites.

O público se informa primeiro no boca a boca, agora potencializado via WhatsApp e afins. Em seguida a tecnologia ataca novamente e as novidades pipocam nos portais de notícias; Logo, os reclames radiofônicos invadem as ondas de rádio AM e FM; A tevê chega em quarto lugar e dá destaque apenas aos conteúdos que tiveram maior repercussão. O jornal impresso faz um apanhado das notícias mais importantes da semana. E onde entraria a crônica em toda essa sede pelo imediatismo noticioso?

Talvez até o insuperável Machado de Assis não chamaria atenção redigindo crônicas em 2016 para um portal de notícias patense. Quem sabe agora a cidade não precise de uma corrente literária que abra portas ao pensamento crítico, que nunca na história do país esteve tão em alta, vide a insatisfação dos brasileiros com a corrupção do governo e a longa briga entre a esquerda e direita, que parecem agora estar tomando forma num cenário pós-internet 2.0?

Temos veículos suficientes e uma frente cultural que cresce a cada dia mais para aderir a essa modalidade literária, que mesmo originada em pasquins parienses dois séculos atrás, nunca fica datada e sempre soa atual. É chegada a hora de dialogar de forma descontraída e ao mesmo tempo compromissada com o público de Patos de Minas.

Começo remando contra essa maré e tentarei dar luz a temas que passam sem o brio necessário pelos leitores patenses. Com toda a serenidade e leveza que a narrativa dos cronistas pode oferecer a um público que ainda se importa em ler, e que apenas não repassam imagens e informações sobre acontecimentos da cidade ainda mal lapidados e não apurados. O desafio está lançado!

Escrever crônicas em Patos de Minas definitivamente será extenuante. As pautas podem demorar a surgir devido a pacatez de praxe em que cidades interioranas se imergem. Pretendo conceber os textos assim como a própria estrutura de uma crônica sugere: a seu tempo, sem rodeios, de forma que o texto comece e finalize uma ideia e com a brevidade exata para ser ingerida na correria do cotidiano do cidadão patense. Ora estagnada, ora efusiva!