Uma viagem lunar por Patos de Minas

Desvia de um, cai em outro: a crônica desta semana é sobre os buracos no asfalto de Patos de Minas amplificados pelo clima chuvoso.

07/02/2017 - 14h21

Uma viagem lunar por Patos de Minas

Semana passada dei uma carona de moto para minha mãe. Não me lembro bem para onde estávamos indo, mas antes de convergir para a Avenida Araguaia perguntei se ela já havia pousado na lua. Ela não entendeu de imediato a piada, mas assim que avistamos as crateras na referida rua, o velho ditado “rir para não chorar” parecia encaixar bem na situação.

Pra variar o patense encontra-se no eterno rally que é transitar pelas ruas de Patos de Minas. Somam-se as péssimas condições do asfalto, com o tempo chuvoso e a cada dia temos uma nova e profunda surpresa em um endereço qualquer. Os buracos não fazem distinção: vão desde os primórdios da Avenida JK, até os confins da região dos 30 Paus.

E como lidar com a situação? É sabido que a prefeitura, endividada do jeito que anda, está fazendo o que pode para tapar os buracos da cidade. A metáfora mais cabível seria comparar a situação à velha besta mitológica conhecia como Hidra, corta se uma cabeça e nascem três em seu lugar. Tapam-se alguns buracos num dia e as chuvas trazem ainda mais no outro.

Meu papel como cidadão que utiliza as vias publica para ir e vir, é o de desviar e praguejar quando vez ou outra, acabo caindo em um dos buracos. Meu papel como jornalista deveria ser o de alertar os trechos que estiverem mais agravantes e também os locais onde as almejadas “operações tapa-buraco” andam acontecendo.

De que adianta eu vir até aqui - nesse espaço que jurei destinar a situações que não remetessem aos fatídicos crimes e acidentes que alimentam o jornalismo patense – para enaltecer que determinado endereço está intransitável devido aos buracos, se sei que o buraco é realmente mais embaixo? Desculpem o trocadilho...

Esse tipo de discurso só alimentaria ainda mais o ódio dos patenses, o que via-de-regra, não faria os buracos diminuírem ou sumirem, e sim só causaria ainda mais transtornos. E enquanto o recapeamento não acontece, o jeito é reinventar a rota, decorar uma forma de ziguezaguear pelas ruas que sempre passamos, de modo a evitar cair em alguma das crateras lunares...

Aliás, aqui vai uma dica para quem tem filho pequeno: por que não lidar com a situação de maneira cômica? Imagine e narre para suas crianças que vocês estão numa viagem espacial pela lua. Quem sabe assim o triste e esburacado trajeto não se torna um pouco mais divertido? Para os demais, paciência.

Texto e foto: Caio Machado