Os benefícios de uma brincadeira chamada “andar de bicicleta”

A psicóloga Hélida Reis é a nova colunista do “Ciência e Comportamento”. No texto de estreia, ela fala sobre os benefícios que o ciclismo pode proporcionar a saúde mental das crianças.

Hélida Reis
22/02/2017 - 21h12

Os benefícios de uma brincadeira chamada “andar de bicicleta”

A infância é um período da vida em que o ser humano vivencia uma grande ativação de regiões cerebrais importantes para a saúde mental.  Importantes áreas como a motricidade, linguagem, cognição e afetividade, dependem de estimulações ambientais adequadas para que a criança tenha um desenvolvimento físico e emocional saudável.

A brincadeira é reconhecida por diversos estudos científicos como uma atividade de alto valor para produzir estimulações cerebrais importantes e promover a aprendizagem de diversas habilidades. Brincar é, portanto, além de um direito, uma atividade básica que deve ser promovida e incentivada pelos adultos com o objetivo de gerar mais saúde e qualidade de vida às crianças.

Na atualidade muitas brincadeiras que faziam parte do cotidiano de gerações passadas, foram substituídas pelo uso dos aparelhos eletrônicos como a forma quase exclusiva de entretenimento infantil. Entre médicos, psicólogos, pedagogos tem sido discutias as complicações que esse tipo de uso dos eletrônicos podem causar para a saúde das crianças: desde comprometimentos físicos, ortopédicos, oftalmológicos, até efeitos psicológicos como isolamento social, ansiedade, déficits de comunicação e queda no rendimento escolar.

Esse é um artigo de introdução que se propõe a abrir uma sequência de publicações nos quais falaremos sobre a importância da brincadeira no desenvolvimento infantil. Hoje vamos falar um pouco sobre a atividade de andar de bicicleta!

Primeiro, é importante que os responsáveis pela criança tomem os seguintes cuidados: a bicicleta deve ser segura e adequada para a idade e o tamanho da criança, é importante que sejam utilizados os equipamentos de proteção para caso de quedas e que o local para pedalar não ofereça riscos significativos de acidentes.

Quando uma criança “brinca de andar de bicicleta”, ela está exercitando o corpo, praticando uma atividade física bastante completa (função muscular, cardiovascular, respiratória), melhorando seu equilíbrio motor, a capacidade de se manter atento e concentrado, aprendendo a dividir melhor a sua atenção entre os diferentes estímulos que encontra no ambiente.

A criança também aprende a solucionar problemas (ao ter que desviar de obstáculos, reduzir ou aumentar velocidade, trocar a marcha para facilitar o pedal), aumenta o sentimento de autoconfiança (“agora já consigo pedalar um pouco mais rápido”, “já consigo subir essa rampa mais alta”), pode melhorar a capacidade de lidar com frustações e com regras, ampliando o autocontrole (“em determinados locais não posso ir muito rápido”, “preciso parar e aguardar o carro passar”, “não posso acelerar pois meu colega está pedalando na minha frente”).

Quando a atividade é praticada em grupo, pode facilitar o exercício das habilidades de cooperação (ajudar o colega a consertar a bicicleta que teve um defeito ou ensinar algo sobre a mecânica da bike a um amigo, esperar ou incentivar o amigo que pedala de forma mais lenta). É possível ainda que a atividade ajude a criança a melhorar a sua disposição e autoestima, sem falar dos benefícios para a saúde daquelas que estão acima do peso.

É importante lembrar que andar de bicicleta pode funcionar como pratica de atividade física em forma de uma brincadeira, sendo assim, a família de crianças com problemas de saúde específicos deve buscar a avaliação e orientação do médico pediatra antes de iniciar a prática. No mais, é pedalar e aproveitar os muitos benefícios que essa brincadeira pode proporcionar para a saúde física e emocional das crianças!

 

Hélida Reis é Psicóloga Clínica. Possui formação em ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) e FAP (Terapia Analítico Funcional) pelo Instituto Continuum (Londrina/ PR) e cursa Especialização em Psicologia Clínica pelo ITCR (Campinas/ SP). Atende a crianças, adolescentes e adultos na Ello: Núcleo de Psicologia e Ciências do Comportamento.