Jovem patrocinense percorre 10 países e todos os estados brasileiros em uma Honda/CG Fan 150

Confira a entrevista exclusiva com Alisson Campos, o rapaz de 26 anos que conheceu 10 países da América do Sul e todos os estados do país em uma Honda/CG Fan de 150 cilindradas!

Caio Machado
01/09/2017 - 16h24

Jovem patrocinense percorre 10 países e todos os estados brasileiros em uma Honda/CG Fan 150

Só na última expedição foram 23.397 km rodados sob duas rodas em 52 dias. 21 de 26 estados brasileiros visitados e três países latinos vizinhos, sendo eles Guiana Francesa, Guiana e Venezuela. A miscigenação e a riqueza cultural do país foram redescobertas e recontadas por diversas reservas e tribos indígenas, monumentos e paisagens naturais. As fronteiras estaduais e federais se confundiram e eram ultrapassadas juntamente às fronteiras da mente.

O sentimento de liberdade ou nomadismo se assemelha ao vivido pelos icônicos personagens Sal Paradise e Neal Cassidy, que cruzam os Estados Unidos de carro, no autobiográfico livro Pé na estrada (On The Road) do escritor beatnik Jack Kerouac. O desbravamento e a necessidade de encontrar significado para a vida, também evoca os mesmos ares do livro de memórias “Diários de Motocicleta”, escrito por Che Guevara, relatando a viagem que fez pela América do Sul ao lado do amigo Alberto Granado. A diferença é que a história a seguir é contada por apenas um protagonista. Ou melhor, dois: um rapaz e uma motocicleta.

Alisson Campos é um jovem de 26 anos como outro qualquer. Nasceu e passou a vida inteira no munícipio de Patrocínio/MG. Cresceu ouvindo e assistindo os clipes de bandas de rock de diversos estilos como Ozzy Osbourne, Red Hot Chili Peppers, The Offspring, Linkin Park, etc. Jogou muito videogame e atualmente queixa-se da falta de tempo que o impede de praticar o hobby com mais frequência.

O desprendimento de Alisson, porém, veio desde cedo, quando ainda pequeno corria o país de carreta, junto do pai que era caminhoneiro. Quando não havia aula na escola, e em praticamente todos os finais de semana, ele saía de carona com o pai e a mãe e viajava bastante pelo sudeste do Brasil.

A necessidade de prosseguir em constante movimento permaneceu impactando a vida do rapaz, que adquiriu o próprio veículo. A fiel companheira de Alisson em suas viagens é a “Poderosa”, uma motocicleta Honda/CG Fan de apenas 150 cilindradas. O hodômetro do veículo já ultrapassa os 140 mil quilômetros rodados, o equivalente a mais de três giros ao redor do planeta Terra, que possui 40,075 km de circunferência!

Considerado pelos amigos como um “cidadão do mundo”, Alisson, que já havia feito outras três expedições, decidiu que queria mais e saiu pelas estradas e rodovias no intuito de percorrer de motocicleta todos os estados brasileiros. Batizada de Expedição “Oxente Uai”, a jornada aconteceu entre os dias 30 de junho a 20 de agosto de 2017, e foi minuciosamente planejada com um ano de antecedência pelo jovem.

Alisson cursou Administração no Centro Universitário do Cerrado Patrocínio (UNICERP) - a comemoração da formatura, curiosamente aconteceu em uma expedição pelas cinco regiões do país e durou 44 dias! - e atualmente é funcionário público. Para se ausentar do trabalho, além das férias, o jovem teve que gastar o banco de horas, as folgas e tudo mais o que poderia ser utilizado. As peregrinações feitas país afora renderam inspiração para um livro que Alisson está organizando. Segundo o rapaz, o trabalho, que pretende finalizar e publicar no segundo semestre de 2018, será um prato cheio para pessoas interessadas em viagens e aventuras.

 

 

Confira a entrevista de Alisson Campos cedida ao Patos Notícias:

 

De onde surgiu a ideia de conhecer os estados do Brasil? O livro “On The Road” de Jack Kerouac te influenciou?

Quando comprei a “Poderosa” em 2012, tive uma ideia, que na época parecia loucura, de conhecer todos os estados brasileiros e quem sabe também, todos os países da América do Sul. Recentemente, realizei o primeiro grande sonho, visitei e conheci todos os estados brasileiros e suas respectivas capitais, bem como o Distrito Federal. Tenho um exemplar do livro “On The Road” de Jack Kerouac em meu acervo pessoal, mas ainda não tive tempo de lê-lo. Posso citar um livro que li e foi escrito inspirado no mesmo, e que me agradou muito. O livro é muito bacana e se chama “Fé Na Estrada” de Dodô Azevedo, indico a todos os leitores que gostam de aventuras e peculiaridades. Aproveitando a oportunidade indico dois livros sensacionais que narram grandes aventuras com motos: a bela obra de arte “Estrada Para Os Sonhos” de Marcelo Leite, que me incentivou muito, e o romance “A Garupeira” de meu amigo pessoal Sinomar Tavares.

 

Você utilizou uma moto pequena e de uso urbano para realizar a viagem. Quais foram os problemas enfrentados?

A CG é uma moto econômica, valente, resistente e que possui mecânica simples e com fácil reposição de peças, o que conta e muito no momento de realizar uma grande jornada. Acredito que foi a melhor escolha que fiz. Nunca tive problemas maiores, as trocas de peças e manutenções foram feitas de acordo com o uso e desgaste que o tempo e a quilometragem trazem a qualquer veículo, tudo sob controle. Porém, a melhor moto para um passeio, uma aventura, viagem ou expedição, acreditem... É a moto que você tem! Somente a moto que você tem pode te levar a todos os lugares tão sonhados. A moto bonita, potente e cara, com que você tanto sonha não te leva, pois ela está na concessionária e não na estrada com você. Não espere ter uma grande moto, planeje, estude e se prepare, garanto que chegará a lugares que nunca havia imaginado, e isso tudo com a moto que você possui.

 

Se não se planejar, você acaba se perdendo no tempo, nas finanças e provavelmente terá grandes problemas.

 

Onde você se hospedava durante a expedição?

Com o tempo fui conhecendo muitos amigos, e consequente esses amigos foram me apresentando a outros, e isso se tornou uma rede gigantesca de amigos motociclistas que vivem e sonham com isso, que respiram o verdadeiro motociclismo. Com isso, sempre faço contato com eles e já aproveito as viagens para visitá-los, e assim acabo ficando na casa de um e outro, sem contar os dias que acampo em meio à natureza ou em postos de combustíveis, quartéis e até mesmo em construções abandonadas. Existe um grupo muito grande de apoio aos motociclistas em viagem que se chama AME BR (Apoio ao Motociclista Estradeiro - Brasil), do qual sou representante municipal. Este grupo surgiu com o intuito de dar apoio aos motociclistas de todo o mundo que estejam viajando pelo nosso país e tenho grandes amigos neste grupo. Recomendo aos viajantes de plantão que pesquisem e busquem conhecer o mesmo.

 

Falando em grupo de apoio, você faz parte de algum moto clube?

Sou presidente e fundador do Wild Bulls Motorcycle Club. Surgido em 2013, hoje temos quatro membros na cidade de Patrocínio/MG e trata-se de um moto clube onde buscamos manter a irmandade, o respeito e o bom convívio com os amigos e demais clubes. Valorizamos muito a cultura old school e mantemos um pensamento adventure. Rodar e dar apoio aos amigos é o que mais nos motiva.

 

A melhor moto para um passeio, uma aventura, viagem ou expedição, acreditem... É a moto que você tem!

 

O que você levou na viagem? E o que recomenda para as pessoas que desejam realizar o mesmo feito que você?

Sempre que vou realizar uma expedição e passar semanas na estrada, tenho o cuidado de planejar muito bem o roteiro e tudo que necessito para tais dias de aventura. Como trabalho, e para estas aventuras tenho apenas o período de férias e em alguns casos, mais alguns dias de folga, me organizo durante um ano, e quando chega o tempo determinado pego a estrada. Planejamento nesses casos é tudo. Se você não se planejar acaba se perdendo no tempo, nas finanças e provavelmente terá grandes problemas.

 

Qual foi a coisa mais inusitada que aconteceu durante o trajeto e qual foi o estado brasileiro que mais lhe agradou?

Situações inusitadas foram muitas, encontros marcantes, e nesta mais recente aventura tive a curiosa oportunidade de traçar caminhos diferentes e mesmo assim me encontrar na estrada por quatro vezes com alguns amigos que estavam em um grupo realizando uma outra aventura. Isso foi algo ímpar e que acho muito difícil que aconteça novamente, algo totalmente inusitado! Agora, eleger um estado como o que mais me agradou é complicado, pois vivi momentos fantásticos e ímpares em todos eles. Porém sou patriota e amo de coração minha querida Minas Gerais.

 

Você chegou a pensar em largar tudo e permanecer em algum lugar que tenha gostado bastante?

Algumas pessoas costumam perguntar isso, se eu largaria tudo e me mudaria para algum lugar dos quais já visitei, e sinceramente... Eu busco isso. Busco alternativas, lugares que me agradem e que possivelmente eu venha a morar no futuro. Posso afirmar que ainda não encontrei este lugar, nem no Brasil e tão pouco nos outros países que conheci. Porém duas regiões do Brasil me agradaram bastante: o Norte e Sul. Tanto por questões culturais, climáticas e os lugares, quanto pelas aventuras ligadas a estas regiões. Mas, por enquanto, permaneço no nosso estado querido.

 

Algumas pessoas costumam me perguntar se eu largaria tudo e me mudaria para algum lugar dos quais já visitei, e sinceramente... Eu busco isso.

 

Como a viagem influenciou em sua vida?

Tenho um amigo que disse a seguinte frase: “O homem que partiu jamais voltou.” Ele se chama Waldez Pantoja, e eu concordo totalmente com ele. É impossível vivenciar tantas experiências e continuar sendo o mesmo. As viagens sempre me transformam. Acredito que me torno mais humano, sensato, paciente, amigo e aprendo a valorizar, amar, aproveitar e viver cada momento de uma forma mais plena após as viagens.

 

Quais são seus próximos sonhos?

Após completar o meu primeiro grande sonho como motociclista, que era justamente de viajar por todos os estados brasileiros e suas capitais, o sonho se torna um pouco mais complexo e requer mais quilômetros (fato que muito me agrada). Já viajei por 10 dos 13 países da América do Sul, e nas próximas férias, sairei em busca de mais essa realização: conhecer toda a América do Sul. Falta agora apenas o Equador, Colômbia e Suriname. Como e com qual moto eu vou realizar esse feito? Claro que é com minha fiel parceira! A “Poderosa” e eu vamos seguir em frente e acredito que seremos os primeiros a percorrer toda a América do Sul e Brasil com uma Honda/CG Fan 150cc.

Espero que essa entrevista possa encorajar aqueles que estão desmotivados, pensando que seus sonhos são impossíveis de se realizar, e que assim como eu, possam ter coragem, agir com o coração, e lutar pelos seus sonhos. Para finalizar quero deixar uma frase bem simples... Querer realmente é poder, aprendi com um finado amigo e sigo esse pensamento, muito mais que uma frase, um mantra, uma oração. Se você quer de verdade, você é capaz, você luta e conquista, e futuramente desfruta de seus sonhos realizados.


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Fotos: Arquivo Pessoal