Proprietária de cadela que faleceu após procedimento médico não solicitado irá processar clínica veterinária

A cadela Nina apresentou problemas respiratórios e faleceu possivelmente em decorrência de procedimentos de punção e drenagem torácica não solicitados.

Caio Machado
20/11/2017 - 10h53

Proprietária de cadela que faleceu após procedimento médico não solicitado irá processar clínica veterinária

A proprietária de uma da cadela da raça cocker spaniel, adotada quatro anos atrás nas ruas de Patos de Minas, irá processar uma clínica veterinária por danos materiais e morais, após o animal falecer possivelmente em decorrência de um procedimento médico não solicitado.

Segundo a advogada Valquíria Paula Mundim, que procurou a redação do Patos Notícias para relatar o caso, a cadela Nina foi adotada após ela ter sido abandonada na Avenida Marabá, por estar com câncer e problemas de pele. Valquíria realiza trabalho voluntário para animais e possui diversos cães.

No dia 02 de outubro, Nina apresentou problemas respiratórios e dois dias depois, Valquíria procurou a veterinária que costuma tratar seus bichos. Para avaliar o cão, era necessário realizar exames de Raios X e cardiograma, testes dos quais a veterinária não dispunha dos equipamentos necessários para realizá-los.

A médica veterinária recomendou que Valquíria levasse a cadela até uma outra clínica localizada no Bairro Rosário. No caminho para o local, Nina começou a sentir falta de ar e já na clínica, além dos Raios X, sugeriram que a cadela permanecesse internada para uma consulta emergencial.

No dia seguinte, a advogada buscou Nina, que necessitaria de permanecer sendo medicada, e voltou para casa. Após cinco dias, a advogada retornou com o cão até a clínica para realizar outro exame de Raios X e para averiguar se Nina ainda precisaria continuar tomando os remédios.

Valquíria deixou o animal na clínica referida, no dia 09 de outubro, que na ocasião estava locomovendo e alimentando-se normalmente. Sem a solicitação da proprietária, foi realizada uma punção e drenagem torácica na cadela, alegado posteriormente, se tratar de outro processo emergencial.

Ao buscar Nina, Valquíria notou que ela estava diferente e não respondia aos seus chamados, como se estivesse sedada. Segundo o relato, ela questionou a veterinária, que alegou que poderia se tratar de uma desestabilização temporária por conta da punção realizada no cão.

Em casa, o estado da cadela piorou e o animal parou de andar, não quis mais comer e nem beber água. A caixa torácica de Nina começou a inchar consideravelmente e Valquíria voltou até a clínica para ver o que poderia ser feito. No local, foi informada pela veterinária responsável que durante o processo a cadela não havia sequer sido sedada.

De acordo com Valquíria, a veterinária sugeriu que trouxesse Nina de volta para a clínica ou que ela a levasse para a veterinária de sua confiança. A advogada voltou para casa para decidir o que fazer, porém o animal faleceu em menos de seis horas após o procedimento.

Valquíria pretende processar a clínica veterinária por danos morais e materiais, devido ao procedimento cirúrgico realizado sem a sua autorização e pelo fato de terem recusado de devolverem o dinheiro pela prestação do serviço.

Baseado no art. 39 do Código de Defesa do Consumidor, que veda a execução de serviços sem a autorização do cliente, Valquíria considera que a clínica praticou ato abusivo por não solicitar a realização da punção, e pela lei, tal ato justifica a restituição em dobro do valor pago pelo procedimento indevido.

Segundo a advogada, providências também foram tomadas para denunciar a veterinária responsável pela punção no Conselho Regional de Medicina Veterinária. Valquíria afirma que não visa lucro com a ação, e que o dinheiro obtido será totalmente doado para a ASPAA, assim como o advogado contratado, que também doará os honorários da causa para a ONG animal.

Em contato com a clínica, o Patos Notícias foi repassado para o proprietário do local. Num tom nada amigável e basicamente prestando-se de ameaças verbais, o dono alegou que “lugar de insatisfeito é na justiça” e que não iria se manifestar para a imprensa.

Sem prestar nenhum esclarecimento sobre o procedimento de Nina, o proprietário da clínica alegou que só responderá pelo caso nos tribunais e que Valquíria está em busca de “mídia e sensacionalismo”. Após acalmar os ânimos, disse que a publicação da matéria seria “bom para ele” caso fosse processado.


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Fotos: Valquíria Mundim / Acervo Pessoal