A greve dos caminhoneiros nos torna egoístas?

Uma crônica sobre a paralisação dos caminhoneiros realizada simultaneamente em todo o país.

Caio Machado
25/05/2018 - 16h40

A greve dos caminhoneiros nos torna egoístas?

Agendaram para as 17h uma carreata em apoio à greve dos caminhoneiros que acontece simultaneamente em todo o país e consequentemente, bloqueou parcialmente várias rodovias, impossibilitando a renovação de recursos que dependem da malha viária para chegarem aos seus respectivos destinos, como por exemplo: os combustíveis.

Sim, as mesmas substâncias que motivam a manifestação da classe dos caminhoneiros, que não arredam o pé mesmo após o Presidente Michel Temer sinalizar que usará de forças federais para conter a greve. Desde quarta-feira presenciamos os patenses abarrotando as filas de postos de combustíveis da cidade no intuito de completarem os tanques de seus carros e motos.

O combustível da cidade já está praticamente no fim e uma das justificativas que os patenses dão para não comparecerem na tal carreata é a falta do mesmo. Um advogado que frequenta o grupo de WhatsApp do Patos Notícias foi até criticado após ironicamente sugerir um churrasco para manifestar contra o aumento do preço da carne. Mas de fato, o ato é estranho mesmo, soa quase como um exercício de autofagia…

Observando todo o contexto, vocês já pararam pra pensar no egoismo de toda esta situação?

O pessoal não está nem aí se os ônibus, ambulâncias e demais veículos que prestam serviços uteis e minimamente coletivos à sociedade irão conseguir abastecer também. A primeira ação com a notícia da greve foi ficar que nem zumbi ao redor dos postos de gasolina... ninguém quis abdicar do próprio veículo. Se a greve perdurar, não vai ser um tanque cheio agora que irá resolver os problemas posteriores. Gastar o combustível na tal carreata de agora, sequer fará diferença.

Presenciei diversos patenses solidarizados com os caminhoneiros realizando mutirão de marmitas e fardos de água, mas não vi ninguém organizando caronas em seus veículos ou mesmo abandonando-os nas garagens de casa e substituindo-os por transporte coletivo ou mesmo bicicletas. Ninguém quis dinamizar a situação de forma mútua. Todavia, até crianças carregando galões eram vistas segurando fila nos postos de combustíveis…

Nas redes sociais, brotaram todo tipo de fake news sobre o assunto. De áudio falso do finado jornalista Marcelo Rezende prevendo à greve dos caminhoneiros, a uma suposta funcionária do Banco do Brasil relatando congelamento de contas correntes e poupanças, no melhor estilo Plano Collor. Sem contar a proliferação memes e piadinhas. Esta ideia de que rir é o único remédio para um “país sem rumo” é o atestado de passividade do brasileiro!

Outra rixa sem fim, é a do pessoal que insiste em dizer que a culpa de tudo isto é dos paneleiros que manifestaram pelo impeachment de Dilma nos anos anteriores. Do outro lado, temos a galera que afirma que quem votou na Dilma, também votou no Temer e descartam a existência de um golpe, atribuindo-lhes a responsabilidade. Ninguém quem fazer mea-culpa e insistem em viver no passado, como se isso fosse realmente relevante. Afinal, o que tem se mostrado significativo, brigas na internet ou a união dos caminhoneiros?

Está na hora de deixar o egoísmo e a passividade de lado e fazer algo realmente significativo para o país. Ofereça uma carona até o serviço para o seu vizinho, nem que seja a pé! Utilize o transporte coletivo, e se for pegar taxi ou Uber, divida a viagem com amigos. Leve algum mantimento para os caminhoneiros, participe dos movimentos e da carreata (que caramba, poderia ser um passeata!), mas também respeite quem participa, se preferir ficar de fora. Poupe combustível para alguma urgência. Ria de memes, mas não os torne prioritários e alienantes. E acima de tudo, procure se informar em jornais com credibilidade sobre a autenticidade de todo conteúdo que vocês receberem da greve pelo WhatsApp e redes sociais!